8 de fev de 2009

Uma visita a Chernobyl



O acidente na usina nuclear de Chernobyl há 20 anos foi algo sem precedentes. Em 26 de abril de 1986 houve uma fusão catastrófica em um dos quatro reatores da usina. Quando ocorrem desastres — quer naturais, quer provocados pelo homem —, geralmente é possível limpar e reconstruir o local. Mas no caso de Chernobyl, a contaminação causada por aquele acidente deixou duradouros efeitos adversos.
EM ANOS recentes, todo dia 9 de maio, ex-moradores das cidades próximas ao local do acidente têm feito uma peregrinação — às vezes com amigos e parentes — até as casas abandonadas onde moravam. Em outras ocasiões eles vão para realizar funerais. Cientistas têm visitado o local para estudar os efeitos da radiação. Além disso, as companhias de turismo ucranianas recentemente têm oferecido passeios de um dia até a região, com acompanhamento de um guia.
Em junho de 2005, uma matéria de primeira página no jornal The New York Times falava sobre breves "visitas" a Pripet, "conduzidas por um guia", que "não apresentavam riscos à saúde". Pripet é uma cidade de uns 45 mil habitantes que fica a cerca de 3 quilômetros dos reatores. Foi fundada na década de 70, mas, assim como muitas outras cidades, foi abandonada depois do desastre nuclear. Esses lugares se tornaram então área proibida por causa da radioatividade. A cidade de Chernobyl (que tem o mesmo nome da usina nuclear) é bem menor que Pripet e fica a cerca de 15 quilômetros dos reatores. Já por alguns anos, antigos moradores da cidade têm recebido permissão para fazer visitas anuais.
Os resultados de um relatório científico, que reavaliou a tragédia, encomendado pelas Nações Unidas, disse que o acidente causou inicialmente a morte de 56 pessoas e previu que apenas 4 mil pessoas morreriam de doenças relacionadas diretamente à radiação. As primeiras previsões geralmente eram de que haveria de 15 mil a 30 mil mortos. Um editorial no jornal The New York Times, de 8 de setembro de 2005, comentou que o relatório das Nações Unidas "sofreu ataques de diversos grupos ambientalistas, que o consideram uma forma tendenciosa de ocultar os reais perigos da usina nuclear".

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